Escândalo do INSS: PF cumpre mandados no Maranhão e mira senador Weverton Rocha e advogado

Faltando menos de três meses para as eleições, investigações da PF redesenham a corrida ao Senado e fragilizam alianças estratégicas da pré-candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Maranhão

A Polícia Federal deflagrou uma nova fase das investigações que apuram o desvio bilionário de recursos e fraudes em descontos associativos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em São Luís, agentes cumpriram diligências de busca e apreensão que atingiram endereços ligados ao senador Weverton Rocha, presidente do PDT no Maranhão, além da residência e escritórios do advogado Willer Tomaz.

​As apurações sobre o esquema contra aposentados e pensionistas ganharam força no ano passado e desdobraram-se no Congresso Nacional com a atuação da CPMI. O colegiado contou com a participação do deputado federal maranhense Duarte Júnior, que atuou diretamente na cobrança por transparência e no aprofundamento das oitivas sobre as movimentações suspeitas.

​No Supremo Tribunal Federal (STF), o relator do caso é o ministro André Mendonça, responsável por autorizar os mandados cautelares solicitados pela Polícia Federal. A investigação apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa na gestão de repasses previdenciários.

Opinião do Blog: Até quando a legislação eleitoral ignorará as investigações?

​O avanço de investigações desse porte traz à tona um debate central sobre a lisura do processo democrático e a integridade da representação pública. O cenário em que figuras públicas sob severa apuração judicial continuam plenamente aptas a disputar mandatos e conduzir campanhas políticas expõe fragilidades marcantes em nossa legislação eleitoral.

​A ausência de critérios legais mais rigorosos — que impeçam ou restrinjam a participação eleitoral de apadrinhados e agentes citados em esquemas de desvio de dinheiro público — deixa o eleitorado vulnerável e desprovido de mecanismos preventivos de proteção às instituições.

Fica a reflexão: até quando a legislação brasileira continuará abrindo brechas operacionais para que alvos de graves apurações continuem transitando com facilidade nas urnas e no poder?

Para entender melhor os detalhes e os desdobramentos judiciais envolvendo este caso, assista ao vídeo da cobertura jornalística sobre os desdobramentos das apurações do caso no STF. Este conteúdo apresenta as principais apurações da imprensa nacional sobre o pedido de medidas cautelares e o papel do STF no processo.

A Resposta

O senador Weverton Rocha utilizou sua rede social para informar sobre a posição do Ministério Público. Diz estar tranquilo mas surpreso pelo envolvimento de seus familiares nas investigações.

Cadeia para quem roubou os aposentados do INSS, cobra Hildo Rocha que apresenta projeto de lei

Em pronunciamento na tribuna da Câmara, o deputado federal Hildo Rocha (MDB) defendeu o aprofundamento das investigações sobre o roubo aos aposentados e pensionistas do INSS e pediu cadeia para todos os envolvidos no crime.

Na ocasião, o parlamentar pediu também apoio ao Projeto de Lei 2389/2025, de sua autoria, que impede que roubos, disfarçados de contribuições para entidades, continuem a ser realizados sobre os valores de benefícios previdenciários.

“Esse nosso projeto acaba com esse roubo, camuflado de contribuição para entidades, praticados contra os aposentados e pensionistas do INSS. Tem que ir para cadeia o bandido, o ladrão que tirou o pão da boca de um velhinho. O ladrão que tirou o frango da panela da velhinha tem que ir para prisão. Então, quero pedir o apoio dos Srs. Deputados e Sras. Deputadas a esse nosso projeto de lei”, destacou o parlamentar.

Hildo Rocha enfatizou que, conforme as investigações da Polícia Federal, os descontos indevidos foram iniciados no ano de 2019 e se estenderam até este ano.